9/22/2016

O servo fiel é especial para Deus

O servo fiel é especial para Deus
Texto: Salmo 127:2

Introdução: O profeta Ageu declara que Deus é o dono de todo ouro e prata que há na terra (2.8). Esta verdade equivale a dizer que Deus detém em suas mãos todas as riquezas que há no mundo. Já o salmista Davi – em uma linguagem poética – afirma que: “Ao Senhor pertence a terra e tudo O que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (SI 24.1). Em outras palavras, o salmista está dizendo que Deus é o dono da terra, exatamente porque a criou e sustenta!

O texto que vamos analisar na sequência está contido no Salmo 127, o salmo da família que, entre outras coisas, revela o cuidado amoroso de Deus para com seus filhos nas diversas áreas do lar. Como garantir o sustento do amanhã? Melhor, como viver de maneira despreocupada – do ponto de vista econômico – diante de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, exigente e estupidamente selvagem? A resposta não está no homem, com suas ciências econômicas, políticas e sociais) e soluções paliativas, relativistas e circunstanciais, mas em Deus, e em sua Palavra, que é fiel e verdadeira, pois não falha e tem seu cumprimento garantido, veja Isaías 55.10,11; Mateus 6.33).

Proposição: A manutenção financeira no lar depende da devoção sincera de seus membros a Deus.

I. “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde”.

- A crítica é dirigida a uma pessoa trabalhadora, que busca prosperar por meio de muito trabalho. Dirige-se a indivíduos que não se importam em levantar às quatro horas da madrugada, e dormir após a meia noite. De forma geral, a maioria das pessoas pensam e age desse modo!

- Por que Deus considera inútil o esforço árduo de um trabalhador? Será que Ele tem alguma coisa contra o trabalho honesto e suado? (Veja Gênesis 3.17-19). Em absoluto. Na verdade, Deus não tem nada contra o trabalho, muito ao contrário, Jesus afirmou diante de alguns fariseus que Deus nunca parou de trabalhar desde a Queda do homem (João 5.17), além disso, o apóstolo Paulo determinou aos tessalonicenses que “…se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2 Tessalonicenses 3.10).

- A palavra inútil significa: “baldado, vão, estéril” (Dicionário Aurélio) e o sentido que mais se harmoniza ao que o salmista escreveu tem a ver com algo sem resultado concreto, que todo esforço não levará a lugar algum.

- Há duas palavras hebraicas que traduzem bem o conceito de inutilidade; veja: shãw: vacuidade, vaidade, falsidade e tem o sentido de “em vão, inutilmente ou à toa”, shãw ’ tem a ver com tudo aquilo que é impalpável, sem valor real; a outra palavra é mais forte: beliya’al inutilidade, belial é uma palavra derivada de beli (não, sem) + ya’al (ser de uso, útil, lucrativo). Fonte: Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento (Ed. Vida Nova).

- Na verdade, a crítica divina é dirigida a uma pessoa que confia em si mesma, que vê no trabalho ou no esforço pessoal a única forma segura de prosperar (veja Deuteronômio 8.17,18), que não inclui em sua lista de “investimentos” o Reino de Deus, que à semelhança do homem louco e avarento denunciado por Jesus, amontoa em celeiros sem se importar com o iminente juízo divino (Lucas 12.20 – prestação de contas).

- A inutilidade está no resultado final de todo esforço, na insegurança do amanhã sem Deus, no desperdício que deverá ocorrer quando o “devorador” atacar (veja Malaquias 3.11). Para esse, o pão é sempre penoso, ou é um “pão de dores” (ARC), que custa caro, que vem apenas com trabalho árduo.

II. “…aos seus amados ele o dá enquanto dormem”.

- O sentido correto desta frase aparece na bela tradução da Bíblia NVI, vejamos: “O Senhor concede sustento aos seus amados enquanto dormem”. Está claro que Deus age no “turno da noite”, que opera num momento que muitas vezes ignoramos. Dormir nesse caso tem a ver com “descansar” em Suas promessas. O texto nos faz lembrar do povo de Israel no deserto, pois o maná descia pela madrugada, quando todos dormiam (veja Êxodo 16.7).

- A expressão “seus amados” é uma referência direta a pessoas especiais. Mas, afinal quem são os amados do Senhor? Será que Deus faz acepção de pessoas? Será que Ele é parcial, amando um mais do que outro? Absolutamente não! Não é Ele quem muda segundo as circunstâncias ou se determina pelas aparências, o problema não está em Deus, mas nos seus filhos (veja Efésios 6.9).

- Estamos diante de pessoas que conhecem e se adaptam à vontade de Deus. Está em foco aqueles crentes que confiam em Deus e por isso Ele não os decepciona. Essa confiança se converte em atos concretos de obediência irrestrita e inegociável da Palavra de Deus. Quem dizima e oferta regularmente, cumpre a sua mordomia fielmente e expressa com isso a sua confiança na providência divina.

- Jesus disse a seus discípulos qual é a “marca registrada” do nosso amor a Deus; veja: “ (…) Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra. Meu Pai o amará (…) Aquele que não me ama não obedece às minhas palavras” (João 14.23,24 – NVI). Quem ama a Deus não questiona as Suas leis, não prioriza os seus próprios interesses, antes busca dar ao Senhor e a seu Reino a primazia, as primícias, o melhor e não as sobras (veja Provérbios 3.10,11; Mateus 6.33).

- Segundo o salmista, Deus demonstra o Seu amor, contentamento, alegria com os Seus filhos obedientes por meio de atos de providência, de abastança, de abundante suprimento. Paulo confirma isso quando ora pelos crentes fiéis (na mordomia- v. 15 e 16) de Filipos: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (Filipenses 4.19). O crente que deseja crescer financeiramente, deve se esforçar não por trabalhar demasiadamente, mas em ser fiel a Deus.

Conclusão: O esforço humano para melhorar de vida, como estudar, trabalhar, poupar e fazer bons investimentos, somente terá resultados positivos e duradouros, se contar com a bênção integral de Deus. No Antigo Testamento, encontramos uma história interessante que apoia a compreensão do resultado da nossa obediência à mordomia do dinheiro, e trata da mãe de Moisés que não podendo ocultá-lo dos soldados de Faraó, acabou por “entregá-lo” aos cuidados de Deus e Ele por sua vez devolveu a criança para Joquebede, mas acompanhada de um salário regular (veja Êxodo 2.1- 10). Pois é precisamente isso que nos acontece quando decidimos entregar ao Senhor nossos dízimos e ofertas, Ele nos abre as janelas e portas do céu a fim de suprir ricamente cada necessidade que tivermos (Malaquias 3.10).

Pr. Josias Moura de Menezes

9/16/2016

Onde está o seu coração?

Onde está o seu coração?
Texto: Lucas 12:13-15

“Alguém da multidão lhe disse: “Mestre, dize a meu irmão que divida a herança comigo”. Respondeu Jesus: “Homem, quem me designou juiz ou árbitro entre vocês?” Então lhes disse: “Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens”.

O ser humano é egoísta por natureza. Queremos todas as atenções voltadas para nós, priorizamos as nossas necessidades, os nossos desejos, e só depois (se sobrar um pouco de tempo e vontade), olhamos para o lado para ajudar o próximo.

Pergunta: Vivemos mesmo em um mundo cada vez mais egoísta? Quais são algumas marcas de egoísmo em nossa sociedade?

E muitas vezes, a nossa relação com Deus não é diferente. Sempre que vamos orar, focamos apenas no “pedir”. Queremos que Jesus resolva nossa situação financeira, solucione um problema no trabalho ou em casa, nos dê coisas das quais não precisamos. Enfim, queremos ser servidos por Aquele a quem deveríamos servir. Porém, a coisa não funciona bem assim. No texto que lemos, observamos o diálogo entre Jesus e um homem que estava preocupado apenas com os seus interesses.

A Bíblia não diz quem era aquele homem, sabemos apenas que ele queria que seu irmão dividisse sua herança com ele, e para conseguir o que queria, ele foi até Jesus pedir para que Ele intervisse na situação. Mas Ele se recusou! Pode parecer estranho, mas Jesus disse que aquilo não fazia parte do chamado dEle.

Aquele homem não havia entendido qual era a verdadeira missão de Jesus. Ele queria usá-Lo para seus interesses egoístas. E quantos de nós fazemos o mesmo todos os dias? Pensamos que Cristo é o “gênio da lâmpada” que atenderá todos os nossos pedidos. Mas o propósito da vinda de Jesus foi bem maior. Veja: “Pois desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia” (João 6:38,39).

Ou seja: a verdadeira missão de Jesus é nos salvar e restaurar nosso relacionamento com o Pai. Jesus conhecia a intenção do coração daquele homem e em seguida fez uma advertência sobre o perigo de querermos as riquezas deste mundo:

“Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens” (Lucas 12:15).

Nesta passagem, Jesus quer dizer que não podemos ser gananciosos; ou seja, termos um desejo desenfreado por bens materiais e colocar as “coisas” como nosso alvo principal. Isso é idolatria! Fará nossa vida vazia e infrutífera e nos deixará despreparados para o nosso encontro de prestação de contas de nossa vida ao Criador. Veja o que o Novo Testamento nos Paulo ensina:

Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral nem impuro nem ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus (Efésios 5:5);

“Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria” (Colossenses 3:5)

“Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm, porque Deus mesmo disse: “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei” (Hebreus 13:5).

Muitas vezes achamos que só seremos felizes de verdade se tivermos muitos bens e riquezas. Porém, é necessário saber que a vida de uma pessoa não consiste na abundância de coisas que ele possui, mas vai muito além do material!

Então Jesus contou uma parábola para aquele homem e aos que estavam à sua volta:

“A terra de certo homem rico produziu muito bem. Ele pensou consigo mesmo: O que vou fazer? Não tenho onde armazenar minha colheita. Então disse: Já sei o que vou fazer. Vou derrubar os meus celeiros e construir outros maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E direi a mim mesmo: Você tem grande quantidade de bens, armazenados para muitos anos. Descanse, coma, beba e alegre-se. Contudo, Deus lhe disse: “Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?”. Assim acontece com quem guarda para si riquezas, mas não é rico para com Deus” ( Lucas 12:16-21)

Podemos detectar três problemas na vida deste homem da parábola:

1) Ele era egoísta

Deus o abençoou ao permitir que as suas lavouras produzissem em abundância. Em vez de colher os frutos e separar uma parte para ajudar os pobres e necessitados, ele preferiu estocar tudo. Ele pensou apenas no próprio conforto.

2) Ele planejou sua vida somente para essa terra

Os bens materiais podem nos iludir e nos dar a sensação de segurança, mas no dia do juízo, elas não servirão para nada. “De nada aproveitam as riquezas no dia da ira, mas a justiça livra da morte” (Provérbios 11:4).

3) Ele não cumpriu a sua missão

Jesus terminou dizendo: “Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”. Ao ser abençoado, Deus esperava que aquele homem também abençoasse a sua Obra e as pessoas mais necessitadas. Contudo, a ganância tomou conta de seu coração e ele não buscou fazer a vontade do Senhor.

Pergunta: E você, tem separado uma parte do que tem para servir os outros e à obra de Deus?
Mas Jesus não parou por aí! Ele continuou dizendo:

“E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes. Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves? E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura? Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras? Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos. Porque as nações do mundo buscam todas essas coisas; mas vosso Pai sabe que precisais delas. Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino. Vendei o que tendes, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói. Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração” (Lucas 12:22-34).
  • Jesus falou sobre a preocupação (v. 22): A nossa preocupação não serve para absolutamente nada. Ela não pode sequer nos dar um dia a mais de vida e é uma característica daqueles que não servem a Deus.
  • Jesus falou sobre a prioridade (v. 31): Para tirar o nosso foco, Satanás tentará de todas as formas atrair a nossa atenção para as coisas do mundo, e com isso deixarmos o Reino de Deus por último.
  • Jesus falou sobre onde o nosso coração deve estar (v. 34). O nosso coração está naquilo que mais valorizamos. Se estivermos focados nas coisas que o mundo pode proporcionar, nosso coração estará fechado para as riquezas espirituais. Porém, se voltarmos a nossa atenção para o céu, Deus nos recompensará com a glória eterna!
Conclusão: Nossa felicidade jamais estará nas coisas que possuímos e nos bens que acumulamos. Nosso coração deve estar naquilo que é, de fato, uma prioridade: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.