Uma descrição do fim do mundo

Referência: Daniel 12.1-13

INTRODUÇÃO

1. O capítulo 12 de Daniel é uma sequência do capítulo 11. O anjo ainda está revelando a Daniel uma descrição do tempo do fim. Este texto é uma brilhante descrição do fim. Deus levanta a ponta do véu e revela o fim da história. As cortinas se fecham e o fim desse drama é a vitória gloriosa do povo de Deus.

2. Vários eventos são descritos nesse capítulo 12. Eles são como balizas que nos direcionam no entendimento do fim da história.

3. O fim do mundo pode ser compreendido através do cumprimento de vários sinais: engano religioso, guerras, terremotos (o maremoto da Ásia no dia 26.12.2004 com mais 60 mil mortos), pestilências, apostasia, perseguição, esfriamento do amor, a pregação do evangelho, o aparecimento do anticristo.

4. Vamos alguns pontos importantes deste texto:

I. FATOS MARCANTES DO TEMPO DO FIM

1. Uma descrição da grande tribulação – v. 1

a) O tempo da grande tribulação – “Nesse tempo” é uma descrição do período de ascensão e queda do anticristo, o arquinimigo de Cristo e da sua igreja. Ele se levantará na força de Satanás. Ele se oporá e Cristo querendo ao mesmo tempo ser adorado em lugar de Cristo (2 Ts 2:3-4).

O anticristo vai blasfemar contra Deus e magoar os santos do Altíssimo (Dn 7:25; 11:45). Ele vai ser adorado e em todo o mundo, por todos aqueles que não têm o selo de Deus (Ap 13:8). Ele vai perseguir e matar muitos cristãos (Ap 13:7).

b) A singularidade da grande tribulação – Esse tempo será a grande tribulação (v. 1). Será um tempo de angústia sem precedentes na história. Esse tempo é descrito como “o pouco tempo de Satanás”, “a grande apostasia”, o “o aparecimento do homem da iniquidade” e a “a grande tribulação”. Daniel vê não apenas a perseguição do anticristo, mas também o seu fim, a sua derrota (Dn 11:45). Os dias mais tenebrosos da história estão pela frente.

2. Uma descrição do grande livramento do povo de Deus – v. 1

Mesmo nesse tempo angustioso, Deus está no controle da história. Seus anjos estão trabalhando em favor da igreja. O arcanjo Miguel será o defensor do povo de Deus. Os anjos trabalham em favor da igreja. A vitória e o livramento da igreja dar-se-ão na segunda vinda de Cristo e ele virá quando se ouvir a voz do Arcanjo.

Os anjos recolherão os escolhidos de Deus do meio da grande tribulação (Mt 24:29-31).

O povo de Deus não será poupado da grande tribulação, mas na grande tribulação(Dn 12:1). No tempo da maior e mais intensa perseguição contra a igreja é que o Senhor a libertará e a levará salva para o seu reino celestial.
3. Uma descrição da salvação pela graça – v. 1

Há uma distinção clara entre os salvos e os perdidos. Os salvos têm seus nomes escritos no livro da vida. Isso, não por méritos ou obras. Pelas obras ninguém poderá ser salvo. Mas, aqueles que foram amados por Deus, selados por Deus, cujos nomes estão no livro de Deus, esses serão salvos.

Jesus fez referência a esse livro da vida.“Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e, sim, porque os vossos nomes estão arrolados nos céus” (Lc 10:20). O apóstolo João se referiu a este mesmo livro, quando escreveu sobre o julgamento final: “E se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo” (Ap 20:15).

Há um livro com nome de pessoas neles. São os nomes daqueles a quem Deus amou eternamente e por quem deu o seu Filho. São as ovelhas por quem Cristo morreu, aqueles que o seu Espírito chamou para crerem e serem salvos. Esse é o povo que vai desfrutar desse glorioso livramento.

Naquele dia nada vai nos importar, a não ser o fato de termos o nome no livro da vida.Não daremos mais importância à nossa reputação ou realizações. Nossas posses não terão valor. Somente nossa aceitação por Deus nos importará.

O dia da derrota do anticristo será o dia da vitória triunfal da igreja de Deus.

4. Uma descrição da ressurreição geral dos salvos e perdidos – v. 2

a) O fato da ressurreição – O último dia será o dia da ressurreição. Os filhos de Deus não serão poupados da morte física, mas o livramento do poder da morte é uma certeza. Daniel está falando de uma ressurreição corpórea. Ele não está falando no sono da alma. É o corpo e não alma que dorme no pó da terra.

b) O tempo da ressurreição – A ressurreição se dará no tempo do fim, na segunda vinda de Cristo, na consumação dos séculos (Dn 12:2; Jô 5:28-29; 1 Co 15:51-52; Ap 20:12-13). Até mesmo aqueles que o traspassaram, verão a Jesus na sua vinda.

c) Os sujeitos da ressurreição – A expressão muitos deve ser entendida aqui por todos. É uma maneira hebraica de chamar a atenção à grandeza dos números envolvidos. Embora todos vão ressuscitar, nem todos terão o mesmo destino. Daniel está falando da ressurreição geral que se dará na segunda vinda de Cristo para o grande julgamento (João 5:28-29; Ap 20:11-12-13; 1 Co 15:51-52; Dn 12:2).

d) Os resultados da ressurreição – Daniel está proclamando duas realidades após a morte: a bem-aventurança eterna e as penalidades eternas. Daniel está declarando que após a morte não há nenhuma possibilidade de mudança do destino eterno (Hb 9:27). Uns vão ressuscitar para a vida eterna e outros para vergonha e horror eterno.
5. Uma descrição das recompensas dos salvos – v. 3

Daniel fala de dois grupos: os sábios e os que a muitos conduzirem à justiça. Ambos os grupos falam daqueles que resistirão à sedução ou à perseguição do sistema do mundo ou mesmo do anticristo nas mais diversas fases da história. Falam também daqueles em meio à tribulação pregam a Palavra e anunciam a salvação em Cristo (Dn 11:33; Tg 5:19-20). Esses sábios são aqueles que quando o inferno estiver agindo livremente, não desistirão. Eles entendem que o sofrimento do tempo presente não poderá ser comparado com a glória com que se deleitarão.

Esse galardão é descrito em termos de brilho, de fulgor. Porque brilharam em tempo de escuridão, vão brilhar eternamente. Receberemos um corpo semelhante ao corpo da glória de Cristo. Vamos brilhar com os astros ou como as estrelas. O brilho das estrelas pode apagar, mas os salvos vão brilhar eternamente. Concordamos com o hino: “metade da glória celeste, jamais se contou ao mortal.”

6. Uma descrição da credibilidade da palavra profética – v. 4

Isso não significa que as coisas reveladas a Daniel deviam permanecer em segredo. O costume persa era que, uma vez copiado um livro e colocado a público, selava-se uma cópia e colocava-se na biblioteca. Assim, as futuras gerações poderiam lê-lo.

Assim, na antiguidade quando se mandava selar o livro, isso significava que o livro estava completo e recebia o selo de sua integridade, utilidade e proveito para o povo. Então uma cópia era disponibilizada para a biblioteca e estava em condições de ser examinada pelos estudiosos. O último ato profético de Daniel foi assegurar-se de que as profecias que lhe haviam sido reveladas se tornassem conhecidas, não apenas de sua geração, mas das gerações vindouras. Eis a razão porque muitos o esquadrinharão.

A palavra profética não é uma mensagem fechada, hermética, impenetrável. Ao contrário, muitos a esquadrinharão. O livro de Daniel era uma espécie de farol na história da humanidade. Esse escreveu sobre o futuro. Ele contou-nos a história antes dela acontecer.

O livro de Daniel nos mostra que Deus é quem está com as rédeas da história nas mãos. Ele a está conduzindo ao seu fim glorioso.

7. Uma descrição do avanço do conhecimento no tempo do fim – v. 4

A profecia de Daniel está em pleno cumprimento. Vivemos esse tempo da multiplicação do saber. As profecias estão se cumprindo. O fim está mais próximo do que podemos imaginar. O saber hoje se multiplica a cada dois anos e meio.

Em 1822 para D. Leopoldina enviar uma mensagem a D. Pedro I, do Rio a São Paulo, precisou um cavalo de corrida. Isaac Newton disse que chegaria o dia em que o homem correria à estrondosa velocidade de 60 Km por hora. Voltaire disse que ele estava delirando. Hoje o homem vai à lua, faz viagens interplanetárias. O avanço científico parece milagroso hoje.

As profecias estão se cumprindo: engano religioso, apostasia, terremotos, fomes, guerras, pestilências, aumento do saber.Precisamos nos preparar porque o tempo da nossa redenção se aproxima.

II. QUANDO SE DARÁ O TEMPO DO FIM

1. Uma pergunta solene sobre o tempo do fim – v. 5-7

• A pergunta é feita por um anjo ao Anjo do Senhor. A pergunta tem a ver com tempo. “Quando se cumprirão essas maravilhas” (v. 6).

• A resposta é dada com solene juramento, levantando as duas mãos ao Deus do céu (v. 7).

• A expressão “um tempo, dois tempos e metade de um tempo” não deve ser interpretada como três anos e meio. João Calvino entende que isso fala de um longo tempo, porém determinado por Deus. O controle continua nas mãos de Deus, mesmo quando sua igreja está sendo perseguida. Esse tempo abarca todo o período da igreja, muito embora, enfoque precisamente o tempo da grande tribulação, período que se não fosse abreviado ninguém seria salvo (Mt 24:21).

• O anticristo será abatido no auge do seu poder e a igreja resgatada no auge da sua aflição: “…e quando se acabar a destruição do poder do povo santo, estas cousas todas se cumprirão” (Dn 12:7b). O mal será destruído não quando estiver em baixa, mas em seu auge.

2. Uma pergunta solene sobre os estágios finais do tempo do fim – v. 8-13

Daniel recebe a revelação, mas não a entende (v. 8). Então, pergunta sobre os estágios finais desse tempo do fim, ou seja, que evidências teremos de que estes dias estão chegando à sua consumação. A resposta a Daniel é que estas palavras estão encerradas e seladas até ao tempo do fim (v. 9).

Em outras palavras, o que foi revelado terá seu cumprimento no tempo do fim. A profecia não nos foi dada a fim de satisfazer nossa curiosidade, mas trazer-nos à fé, sustentar-nos nessa fé. O objetivo da profecia é alimentar nossa curiosidade escatológica, mas preparar-nos para entender que Deus é soberano e está no controle da história.

Alguns fatos são dignos de nota nesse tempo do fim:

a) A perseguição em vez de destruir a igreja vai purificá-la (v. 10) – O mundo, o diabo e os seus agentes vão querer destruir a igreja, mas o longe de destruí-la, a perseguição vai purificá-la e embranquece-la. A igreja de Cristo sempre se fortaleceu nos tempos de perseguição. A perseguição do tempo do fim será sem paralelos na história, mas nesse tempo em vez da igreja ser destruída, será arrebatada (Mc 13:19-20).

b) A perseguição não tirará o discernimento da igreja (v. 10) – Os perversos procederão perversamente e não terão entendimento, mas a igreja de Deus receberá discernimento e compreensão. A profecia é uma fonte de consolo para o povo de Deus. O Senhor está no trono. Ele conduz o seu povo à vitória triunfal.

c) A perseguição não tirará a paciência triunfadora da igreja (v. 11,12) – Esses números são enigmáticos. Daniel fala de um tempo, dois tempos e metade de um tempo (v. 7), 1.290 dias (v. 11) e 1.335 dias (v. 12). Os estudiosos confessam que não entendem o significado desse dias. Não importa. O que na verdade a profecia quer nos dizer é que a igreja está nas mãos de Deus e ela deve ter paciência para aguardar o tempo de Deus. A mensagem é: mantenham-se firmes, não desistam. Feliz é aquele que sabe esperar ainda que as datas não sejam aquelas da sua expectativa. O que esse texto quer dizer é que somente o tempo revelará os tempos. Quando a igreja entrar no período de sua pior e última perseguição, aqueles dias não durarão para sempre. No auge da perseguição, ela cessará. A igreja jamais entrará num túnel sem fim. O final já está decretado: é a vitória de Cristo e de sua igreja!

d) A perseguição não roubará a recompensa da igreja (v. 13) – O mensageiro de Deus diz a Daniel: prossiga em sua vida espiritual até o fim. Jesus prometeu: “Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2:10). Mantenha-se firme, pois no final há duas coisas preciosas: Em primeiro lugar, você descansará; em segundo lugar, você se levantará para receber a sua herança. Há um descanso para o povo de Deus. Há uma herança imaculada para o povo de Deus. A nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória acima de toda a comparação. O céu é lugar de recompensa. Lá nossas lágrimas serão enxugadas. Lá não haverá mais dor. Lá estaremos juntos para sempre e reinaremos com Cristo pelos séculos dos séculos.

CONCLUSÃO

1. A lição que mais se ressalta no livro de Daniel é que nenhum dos eleitos se perderá. Seus nomes estão escritos no livro de Deus.

2. Outra lição é que vale a pena servir a Deus, mesmo que isso redunde em amarga perseguição. Onde estão os poderosos deste mundo. Onde estão aqueles que foram grandes. Mas, o povo de Deus é selado por Deus e ainda que a morte o atinja, ele vai levantar-se do pó para brilhar como as estrelas eternamente.

3. Daniel andou com Deus na sua juventude. Foi fiel a Deus na adversidade e na prosperidade. Agora aos 86 anos de idade, recebe uma visitação do céu, onde sabe que é um homem muito amado no céu; sabe que suas orações são ouvidas; sabe o que Deus reina e que no fim o Senhor triunfará sobre os seus inimigos e o seu povo reinará com ele para sempre.

Rev. Hernandes Dias Lopes


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Uma descrição do fim do mundo Reviewed by Esboços de sermões on 4/11/2012 Rating: 5

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